História de Águas Altas

A referência mais antiga a Águas Altas, é encontrada no foral de Arega, datado de 1201 por D. Pedro Afonso, filho de D. Afonso Henriques, onde se fazia referência a esta povoação.
Em 1353 já tinha tabelião e em 1513 D. Manuel deu-lhe foral, passando a Vila e a sede de concelho.
Com o passar dos tempos foi perdendo poder e em Novembro de 1836, foi extinta a Vila e Concelho de Águas Altas.
Os romanos também estiveram nesta região, aqui exploravam ouro nas águas do rio e deixaram uma construção em ruínas. D. Afonso Henriques doou estas terras aos Templários, que aproveitavam o rio como linha de defesa e sobre a base Romana construíram uma torre de forma pentagonal, forma que a torna exemplar único em Portugal. Esta construção Templária já serviu de ponto estratégico de observação, de armazém onde se guardavam os tributos entregues ao Comendador e mais tarde foi transformada em torre sineira. A fundação da Igreja é atribuída à rainha Santa Isabel, no século XIII, mas foi reconstruída por D. Gonçalo de Sousa no século XV.

É muito natural que a Igreja de Nª. Srª. do Pranto tenha sofrido outras reparações, no decurso dos tempos. Certamente, no séc. XVII, terão sido nela implantados os altares laterais: o esquerdo com as imagens, muito valiosas, dos quatro evangelistas e o do lado direito com a Santíssima Trindade. Mas, a respeito das datas concretas não se tem referências. Do mesmo séc. São os azulejos que revestem as paredes do corpo da igreja da mesma idade o Órgão de tubos agora restaurado. Mas já no tempo do Padre Artur Mendonça das Neves levou uma grande trabsformação. No ano de 1958, já com metade da aldeia submersa devido à construção da barragem, foi-lhe confiada a missão de paroquiar a freguesia de Águas Altas. Nessa altura, a igreja estava em ruínas, tendo mesmo caído por terra a fronte principal do templo, encontrando-se tapada com tábuas. Com a assistência técnica e algum auxílio monetário dos Monumentos Nacionais, começou logo no ano seguinte a sua reparação, que se prolongou até ao fim de 1961. De seguida foram também construídos os muros que circundam o actual adro da igreja e foi aberta uma ligação a este, do lado direito de quem sobe, sendo a calçada que aí se encontra, construída sobre uma placa de cimento. Com esta reconstrução muita coisa por determinação dos técnicos dos Monumentos Nacionais, foi modificada. Por exempo, na parede do lado direito na igreja, estavam duas grandes janelas que tinham substituído as três pequenas frestas que lá estiveram e para lá voltaram, mas agora ornamentadas de vitrais, da autoria do grande sacerdote e artista, que foi Monsenhor Nunes Pereira. O altar do Santíssimo, foi transferido para o local onde hoje se encontra, agora enriquecido com um retábulo de azulejos que se encontravam a fazer argamassa, na parede do lado direito, de quem entra na igreja. Ainda no interior, a talha dourada, o púlpito, os quadros e a imagem de Nª. Sª. do Pranto do séc. XVII, fazem com que este santuário tenha um encanto singular.

A Lenda da imagem de Nossa Senhora do Pranto

Guilherme de Pavía, feitor da Rainha Santa Isabel, perseguia um veado na Serra Vermelha quando ouviu um doloroso choro. Mas por mais que procurasse não conseguiu encontrar de onde vinham tais gemidos. Resolveu então ir contar a novidade à Rainha Santa. Para seu espanto, esta não só sabia o motivo da viagem, como o local exacto onde procurar "...e lhe disse que buscasse no lugar onde ouvia os gemidos e que ahi acharia uma imagem da Virgem Maria Nossa Senhora com outra de seu Santíssimo Filho morto em seus braços, o que elle fez, e entre huns matos, que estava na aspera serra da vermelha...achara escondida a admirável e milagrosa imagem..." Veio depois a Rainha admirar o achado que mandou erguer uma capela. À terra chamou Vila das Águas Altas, a actual Águas Altas.
Aviso aos incautos e distraídos